A Minha Filosofia

Eu ficarei para sempre com o que disse Zoroastro, grande sábio persa do século VI a.C., que resumiu o que é estar no caminho correto em apenas uma singela frase:

"BONS PENSAMENTOS, BOAS PALAVRAS, E BOAS AÇÕES."

Quero fazer deste princípio o meu viver, incorporar em tudo o que sou a essência desta visão tão simples, para conseguir estar bem com o mundo e comigo mesmo antes de qualquer coisa.

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sábado, 3 de julio de 2010

Laicidade

 Como é sabido pelos leitores assíduos deste blogue,  raramente toco em temas políticos. O assunto realmente não me interessa muito. Porém, na medida certa sempre é bom estar bem informado. Pelo sítio da BBC em português, venho acompanhando o desenrolar da polémica actual por que passam muitos países europeus: de um lado há um esforço em separar definitivamente a fé dos indivíduos da vida pública que afecta a toda a sociedade, e do outro lado há a oposição dos que defendem que se mantenham posturas tradicionais diante da religião.

 Faz parte do bom senso respeitar as diferenças de opinião, e é isso que tentarei fazer agora. Acredito que cada um tem liberdade para praticar a crença que bem entender, e isso inclui a liberdade de manifestá-la aos demais. Essa liberdade é um dos mais básicos dentre os direitos de um cidadão, está assegurada pela Carta Internacional dos Direitos Humanos (diz seu Artigo XVIII: "Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião..."). Assim, não é justo que se prive a ninguém de poder ter as suas crenças e nem de poder praticá-las. Mas, como bem nos lembra a Constituição Francesa de 1791: "A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do seu semelhante."

 Assistam ao vídeo abaixo, que foca sobre o problema da Itália, onde há quem não aceite a decisão vinda de Estrasburgo para se banir a exposição de crucifixos nas escolas do país (pratica não obrigatória por lá, mas muito comum).
 
 A questão dos crucifixos serem expostos em vários ambientes públicos italianos nunca foi questionada até os anos recentes, quando desde então passou a ser um dos assuntos mais comentados. Na Itália, recentemente o juiz Luigi Tosti, de Rimini, recebeu uma sentença de sete meses de prisão (revogada posteriormente). O motivo é que recusa-se a exercer suas funções de jurisprudência em locais onde há crucifixos pregados nas paredes: "Ou eu permanecerei nas salas ou a cruz, não os dois simultaneamente" (detalhe - o senhor Tosti não é de religião católica, e sim judeu).

 Contra a França, que é um dos Estados europeus que está a empenhar-se por acabar com o uso de símbolos religiosos ostensivos nas escolas do país (crucifixos cristãos, solidéus judaicos, turbantes e véus islâmicos), terroristas muçulmanos sequestraram dois jornalistas franceses no Iraque, e ameaçam assassiná-los caso a lei proibitiva não seja anulada, no que se constitui uma ameaça evidente aos valores laicos de todo o Ocidente. Um abuso inaceitável não contra um Estado somente, mas contra uma civilização inteira que vem separando-se há séculos da Igreja (e o termo aqui refere-se à religião de um modo geral)!

 Tanto os fanáticos islâmicos quanto os católicos italianos que não querem o fim do uso de cruzes em locais públicos são, a meu ver, pessoas que não entendem o que é democracia. Mas, afinal, o que é democracia? Se na origem da palavra está o termo grego demo, que significa povo, então entende-se que o governo do povo deve ser para todos, e não para um grupo, uma parte apenas do povo. Entender isso quer dizer reconhecer que deve haver pluralismo, ou seja, respeito ao que é diverso, que na essência é uma das características do povo, ou seja, das gentes. Há pessoas de todas as crenças no meio do povo, e inclusive pessoas sem crenças. Talvez ver uma moça com o corpo todo tapado fira a sensibilidade de quem não acredita que essa é uma atitude adequada  na vida! Talvez ser obrigado a estar sob um tecto onde não se entrou com o intuito de se rezar ao Deus da cruz fira a sensibilidade de quem está lá!

 Não podemos permitir que as coisas tomem o rumo que tomaram na Idade Média. Sou uma pessoa laica, não imponho minhas crenças a ninguém nem aceito que as imponham a mim. Sou um ser humano que acredita na liberdade do indivíduo e que não quer que haja apenas uma escolha, e isso é independente de qualquer religião que eu siga. Laicidade não é pecado contra nenhuma divindade, é uma necessidade diante das circunstâncias em que nos encontramos. Vivemos todos em conjunto com outros indivíduos, não podemos nem devemos querer que eles sintam-se constrangidos na nossa presença.

 Como a Internet é um meio de expressão que promove a liberdade de pensamento, hoje eu venho, sem medo, declarar o meu apoio à adopção de legislações liberais nesse sentido, que sejam democráticas em todos os lugares do planeta, que garantam o reconhecimento pleno da liberdade de opinião - que sejam simplesmente LAICAS. Porque uma de minhas crenças, e sei que não estou sozinho quando manifesto esse pensamento, é a de que todos devemos viver numa sociedade onde haja respeito às diferenças. Ninguém é melhor do que ninguém.