
A luz é a fonte da vida, dela vem todo o calor e toda a energia de que os seres dependem para poder chegar a existir. Sem luz no planeta, a luz que vem dos raios do sol, não haveria nem calor, nem energia, nem nascimento, e nem mesmo haveria cor, ou o toque das mãos trémulas da criança na mão segura do pai ou da mãe, ou o som da música chegaria aos ouvidos, nem haveria vontade de caminhar pelo mundo, nem existiriam olhos para vê-lo...
Quem foi que disse que todos os dias têm luz o suficiente, que os distingue da noite?
Eu queria saber quem é que tirou a vida de nossos olhos depois de lá tê-la levado...
Queria saber por que tudo que é quente e macio só o é um pouquinho, e depois acaba no monte de coisas frias e duras, que são eternas...
E tem tanto para se ver! Os olhos são a verdadeira boca, o lugar por onde se entra o alimento que dá força para continuar seguindo. Claro que de vez em quando a refeição é um pouco indigesta, mas dá para passar fome?
Até hoje jamais ouvi falar de alguém que tenha escapado da tentação. Se houver quem diga que o mundo é uma ilusão e até tente fugir, o fará pela razão de nele ter visto algo que queira alcançar, uma beleza de imagem, não importa se for ou não só miragem, e não importa com que olhos for ver, se com os de dentro ou com os de fora.
A própria vida ruma para a perfeição, ou pelo menos tenta. Se não consegue nos fazer ver diante de nós alguma coisa que realmente valha a pena enxergar, seus mecanismos automaticamente nos distorcem a visão, e fazem os olhos enxergar o que buscam mais além, muito mais além, lá no mundo próprio de cada um, onde as coisas são sempre perfeitas, ou quase. Em matéria de visão, todos nós tendemos à hipermetropia. Não somos míopes.
Atribuir nossa fuga da realidade a uma ingénua miopia é absurdo, é dizer que somos incapazes de enxergar, quando a verdade (sempre dura, a dura verdade) é que os olhos vêem bem demais o que está perto, e por isso mesmo tentam ignorá-lo... digamos que seja uma defesa natural nossa.
Eis aqui uma fotografia de meus olhos