A Minha Filosofia

Eu ficarei para sempre com o que disse Zoroastro, grande sábio persa do século VI a.C., que resumiu o que é estar no caminho correto em apenas uma singela frase:

"BONS PENSAMENTOS, BOAS PALAVRAS, E BOAS AÇÕES."

Quero fazer deste princípio o meu viver, incorporar em tudo o que sou a essência desta visão tão simples, para conseguir estar bem com o mundo e comigo mesmo antes de qualquer coisa.

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jueves, 6 de enero de 2011

O Vento nos Conduzirá

  Tenho que pedir desculpas aos amigos que me visitaram, desejando um bom fim de ano, congratulando-me pelo ano-novo e pelo meu aniversário. Não os visitei por estar a traduzir livros de poesia persa clássica, e em função disso meu tempo dedicado ao blogue tem estado cada vez mais reduzido. Mas semana que vem pretendo recuperar um pouco do atraso, e da maneira que costumo fazer: lendo com atenção os textos, e não somente os últimos. Me aguardem.

   Hoje é uma data especial para mim. Há 24 anos atrás eu nascia, na véspera do Dia de Reis e sob o signo astrológico de Capricórnio, a décima casa zodiacal. Capricornianos não são pessoas fáceis, vocês sabem. Outra pessoa que nasceu nesse dia foi a poetisa iraniana Farough Farrokhzad (pronuncia-se Forúg ForoRRzód). Ela foi uma das maiores figuras da nova poesia persa, ou seja, aquela que é produzida pelos autores de língua persa, ou farsi, que é falada por todos os persas, sejam eles iranianos, afegãos, tadjiques ou de outras nacionalidades. O persa é um idioma famoso pela sua doçura entre os povos do Médio Oriente, e tem uma literatura de mais de 2500 anos. Farough Farrokhzad (1935-1967) é uma das mulheres que mais se destacaram no universo cultural persa, e são dela os versos que compartilho abaixo. Trata-se duma tradução livre que fiz a partir do francês (fonte: aqui). Espero que gostem. 

Paisagem, sem data. Aquarela sobre papel
do pintor iraniano Hossein Kazemi (1924-1996)

O VENTO NOS CONDUZIRÁ
Farough Farrokhzad

Em minha noite, tão breve, ai de mim!
O vento tem com as folhas um encontro marcado.
Minha noite tão fugaz é cheia de períodos de ansiedade devastadora.
Escuta! Podes ouvir o sopro da escuridão?
Com esta felicidade não tenho familiaridade.
Ao desespero meu coração está acostumado.
Escuta! Podes ouvir o sopro da escuridão?
Lá, na noite, algo está a se passar.
A lua está angustiada e avermelhada.
E ao teto pendurada,
Arriscando-se a tombar a cada momento.
As nuvens, como uma multidão de enlutados
Aguardam da chuva o nascimento,
Um instante e nada mais.
Além desta janela 
A noite está a se estremecer
E a terra parou de girar.
Além desta janela por nós dois se inquieta um desconhecido.
Tu, envolto em verdes vestimentas,
Pousas as mãos - plenas de memórias ardentes -
Em minhas mãos amorosas,
E entregas teus lábios saciados do calor da vida
Aos meus lábios amorosos.
O vento nos conduzirá!
O vento nos conduzirá!


miércoles, 6 de enero de 2010

Meu Aniversário



Meninos da cidade de Hội An, no centro do Vietname, ao sair da escola

"A vida é talvez
Uma longa avenida onde  
A cada dia uma mulher passa,
A carregar uma cesta.

A vida é talvez
Uma corda com a qual
Um homem se dependura
Em uma galho.

A vida é talvez
Uma criança que volta da escola.
A vida é talvez
O tempo dum cigarro
Durante uma pausa
Entre dois actos de amor.

A vida é talvez
O olhar surpreso dum homem
Que levanta seu chapéu para
Cumprimentar a um passante, num sorriso impessoal.
A vida é talvez
O breve instante
Em que meu olhar se desfaz em tuas pupilas."
(Farough Farrokhzad, 1934-67, poetisa iraniana)

Ontem, eu fiz 23 anos. Estou a ficar velho, já hehehe... Sei bem que até os 20 uma pessoa cresce, e depois vai entrar no processo em que o organismo começa o envelhecimento por volta dos 25 anos. Ainda tenho mais dois, então, apenas dois! Mas isso de idade nunca considerei tão importante. Aquilo que eu sou está no meu cérebro e no meu coração, e não na aparência do meu corpo. Depois que eu morrer, o que levarei comigo diante de Deus? Minhas acções é claro, aquilo que fiz aqui na Terra, não minha matéria. Hoje, eu compartilhei este poema da Farough Farrokhzad; me identifico com a poesia desta mulher desde a primeira vez que a li, sua força, sua gana, sua melancolia. E só depois, por coincidência, fui saber que ela nasceu num dia 5 de janeiro, como eu... Sabem como ela morreu? Dirigia seu automóvel um dia, e para não chocar-se contra um ônibus escolar lotado de crianças, desviou e bateu.  Talvez seja por influência de signo de capricórnio que eu seja assim como sou hoje e sempre fui; porém, claro, não apenas por esta influência. Não custa nada citar outras personalidades célebres que eu admiro, também nascidas em 5 de Janeiro, e vou citá-las: Umberto Eco, Mozart, Konrad Adenauer...  também Shah Jahan, foi este grande imperador que mandou construir o Taj Mahal (em Agra, na Índia), mausoléu em memória de sua falecida amada, bem como os belos Jardins de Shalimar (que se localizam na cidade de Lahore, Paquistão). Tanto o mausoléu como os jardins são obras que deixaram o mundo mais belo, não há como negar! O mundo é naturalmente belo, sim, só que tem tanta coisa feia que o homem fez, devastando o meio ambiente, então fica como um contraponto a essa feiúra que causamos a qualidade de nossa arte.


 O meu aniversário eu passei em casa, sozinho. Eu mesmo me dei presentes e bolo, e depois de voltar do dentista, dormi quase o dia todo. Meu namorado me ligou e também nos falamos pelo MSN, e eu tive o meu primeiro sonho com ele desde que começamos a namorar. Para minha mãezinha, que há quase quatro anos não me vê, imagino como foi seu dia: ela certamente lembrou da data, e deve de ter chorado muito, quem sabe até não imaginou que eu fosse aparecer para finalmente uma visita depois de todo esse tempo, pois desde que saí de casa, da casa dos meus pais, não pude ainda voltar. Tomara Deus que dê certo d'eu visitá-la este ano. Sinto saudades imensas do carinho de minha mãe, o primeiro que conheci, e o primeiro que me foi um pouco negado também, quem sabe eu consiga sanar essa falta um tantinho quando voltar. Seria um belo presente de aniversário: um abraço. Não ganhei nenhum. Queria isso mais do que tudo nesse mundo, que fosse apertado, que fosse sincero. Não importa que abraço, ia vir muito a calhar receber um.

 Aos amigos que mandaram mensagem de carinho para mim nesse meu dia, agradecerei a cada um, seja em e-mail, Orkut ou nos blogues. Amanhã, se tudo correr bem. Vós não sabeis o quanto me sinto bem com a vossa presença. Muitíssimo obrigado. 


 Há uma entrevista minha no blogue da minha amiga Fernanda, de Brasília:  
http://liberdadeporfernandaalves.blogspot.com/2010/01/segunda-entrevistaabdoul-hakime.html
 A Fê é uma moça muito inteligente, e achei as perguntas super descoladas.

  Já no Blogue do Paulo, de Belo Horizonte, há uma homenagem a mim, feita com tanta criatividade que me deixou de boca aberta: http://paulobraccini-filosofo.blogspot.com/2010/01/parabens-um-amigo.html 
 Eu sinceramente não esperava por uma surpresa assim, desta vez o Braccini foi bem longe e eu mesmo me descobri ali...