Para mim, é incrível como eu e minha mãe somos indivíduos de valores, comportamentos e ideias tão díspares. Ela gosta de festas, eu de sossego. Ela prefere estar sempre cercada pelas multidões, eu sou mais reservado. Ela não se importa de tomar sol, eu o evito. Ela bebe cerveja, eu gosto de vinho. Ela lê somente auto-ajuda e revistas de horóscopo, eu já me dedico à literatura em geral, filosofia, história, e escrevo poemas. Ela vive apenas o presente, eu penso no futuro. Ela têm uma determinada visão de mundo, eu tenho outra.
Mantenho nosso relacionamento o mais superficial que eu consiga, fasso questão de não falar muito para não entrarmos em choque, mesmo que sem discussão. Aprendi a não depender dela para viver, e já não me faz tanta falta a presença da figura materna. Descobri que posso ser independente, e isso me satisfaz. Procuro mais o apoio e a compreensão dos meus irmãos, e até com o padrasto compartilho certas coisas em comum que com minha mãe não compartilho. No fundo, acho que gostaria de ter tido outra genitora, mas como isso não acontecerá, contento-me com a que possuo e esqueço essa questão. Sei que também ela, pelo menos em certos aspectos, gostaria de ter um filho que se ajustasse melhor às suas expectativas, é normal que isso aconteça.
Não se trata daquela rebeldia clássica que distancia as gerações mais jovens das antigas, porque às vezes quem se sente o "velho" sou eu. Não é fácil ter uma mãe moderna, principalmente quando esse lado de sua personalidade revelou-se depois de muitos anos. Eu não posso ser machista, porque o machismo é coisa de homens (e mulheres) pouco evoluídos. Aceito-a como ela é, e peço a Deus que seja feliz. Mas, definitivamente, não me dá prazer em estar ao lado dela, não sei bem por que. Por causa disso, decidi me distanciar, não sondar sua vida, não participar de suas experiências. É melhor assim. Ela não necessita de mim, nem eu posso querer ser protetor e dar palpites no que ela faz ou deixa de fazer, isso não é de bom tom a um filho educado. Cada um sabe como dirigir os seus assuntos, sejamos indiferentes ao rumo que os demais decidem tomar. Que assim seja.















