A Minha Filosofia

Eu ficarei para sempre com o que disse Zoroastro, grande sábio persa do século VI a.C., que resumiu o que é estar no caminho correto em apenas uma singela frase:

"BONS PENSAMENTOS, BOAS PALAVRAS, E BOAS AÇÕES."

Quero fazer deste princípio o meu viver, incorporar em tudo o que sou a essência desta visão tão simples, para conseguir estar bem com o mundo e comigo mesmo antes de qualquer coisa.

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viernes, 16 de julio de 2010

Sobre a Vida e o Medo

 Não levem muito à sério as minhas palavras. Sei que qualquer coisa que eu disser já terá sido dita antes de mim. Mas preciso dizer, para que o meu coração nunca se esqueça, e depois de um tempo, se Deus me permitir, eu possa voltar aqui, reler isto e entender melhor as coisas, sob uma nova perspectiva. Ainda sou muito novo para poder julgar tudo com clareza, porém o tempo passará...

 A vida! A vida não é fácil. A vida é bonita, sem dúvida que é lindíssima e vale muito a pena vivê-la. Eu quero a vida, quero viver tudo o que der tempo; tudo o que tiver que ser vivido que eu possa sempre encarar de cabeça erguida e dizer: "viverei-o!" Só que não posso ser falso. A verdade é que às vezes a vida me dá medo, muito medo. Me sinto acuado, cercado, sozinho.

 Pois uma coisa que me intriga na vida é que ela pode ser uma caixa de tesouros que reluz, brilha e atrai os olhos, apenas para que a abramos e lá dentro hajam facas, lâminas cortantes, enfim, um monte de objetos que nos machuquem, quando não uma bomba mesmo, para acabar com tudo violenta e dolorosamente. Por que eu falo essas coisas? Porque é o que vejo. As pessoas fazem seus planos para o futuro, sorriem numa conversa animada, sonham, amam, falam o que pensam, alimentam seus desejos mais íntimos dentro de si... até que um belo dia, o primeiro de muitos (ou o derradeiro dia de suas vidas) alguém vem e, no mínimo, lhes fere o coração.

 Fico aqui a pensar numa coisa que aconteceu recentemente, que muita gente ainda lembra. A morte da Benazir, assassinada num atentado terrorista em 27 de Dezembro de 2007. Ela tinha acabado de retornar do exílio, e no Paquistão havia muita gente que a adorava assim como muita gente que não suportava nem ouvir o seu nome ser pronunciado. Desde o dia em que pos os pés em seu país, tentaram matá-la. Gente morria em volta dela, nas explosões causadas por terroristas suicidas. E ela nunca aceitava ceder aos fanáticos, cumpria a agenda de compromissos integralmente, apesar das ameaças. Rodou o país naquele verão até encontrar a morte, num subúrbio de Islamabad chamado Rawalpindi. Parecia uma louca, porém eu a compreendo. Engraçado que isso me lembra um pouco a mim mesmo (vejam esta postagem). Essa recusa em se deixar subjugar pelas circunstâncias e indivíduos opressores, essa gana de fazer o que quero, mesmo quando ninguém quer que essa seja a minha escolha. É o meu caso, e creio que seja o de muitos mais também. Rebeldia, isso de resistir a tudo que nos desafia a liberdade sem o devido direito.

 Sempre eu quis acreditar que as pessoas são naturalmente boas, não más. A cada dia, sinto-me desafiado a renunciar à essa convicção. Por tudo o que acontece comigo e com tantas pessoas, não importa o tempo ou o lugar. É só observar o mundo - injustiças de todo o tipo são feitas a cada segundo, das mais insignificantes às mais gigantescas! Por quem? Pelo homem, o homem que faz por onde até ser chamado de "o lobo do homem".

 Gostaria de saber qual é a atitude certa, é o medo ou é a coragem? Temos que fazer o que querem que façamos, para que não nos odeiem, ou fazer o que desejamos, para não odiarmos a nós mesmos? Em outras palavras nós resistirmos, continuarmos  a manter as esperanças, termos força, sermos destemidos, sermos o que somos? Se não for isso, resta baixar a cabeça e seguir não notados, deixados em paz e ao mesmo tempo levar uma vida frustrada...

 "No porto, um barco encontrará segurança. Mas não é para ficarem parados em portos que os barcos são feitos" - Benazir Bhutto

lunes, 19 de abril de 2010

Quase me Mataram


 Francisco Beltrão, uma pequena cidade do interior do Estado do Paraná, é onde vivo faz alguns meses. Eu trabalho na Sadia, uma fábrica de produtos alimentícios. No turno da noite, ou seja, das 23 horas às 4 da madrugada. Volto para casa todo dia à pé. Hoje, era mais ou menos 4:25 quando tudo aconteceu, não era nem quatro e meia. Um sujeito com arma invocou comigo, e me encarou. Começou a fazer muitas perguntas, onde eu trabalhava, onde morava, que idade tinha. Perguntou se eu era gay, e eu neguei é claro. Estava com muito medo, mas algo dentro de mim não me deixava demonstrar. Eu sabia que qualquer passo em falso seria fatal, ele poderia estar a esperar qualquer reacção minha para dar-me um tiro à queima roupa ali mesmo, na rua. Fiquei firme, tentei manter uma aparência relaxada, e fui cauteloso em cada palavra que eu disse. Lembrei que o medo, ele atiça o instinto maligno de quem o tem. Olhei nos olhos dele o tempo todo.

 Ele falou mal da roupa que eu estava a usar, disse que eu não devia estar com um cachecol no pescoço (o meu querido cachecol azul!), criticou com nojo a minha maneira de andar, disse que eu devo cortar os cabelos. Fiquei revoltado, mas não deixei transparecer. Fui embora, quando ele deixou, ziguezagueando, com medo de olhar para trás. Ele tinha me "convidado" para ir ali, num canto, num mato, e eu sei que se ele me obrigasse, seria o fim, mas eu estava disposto a recusar até o fim se fosse preciso! Por que eu iria?! Só por ser "veado"?

 Já não foi a primeira vez que senti o preconceito contra gays aqui nesta cidade, mas desta feita foi horrível, e até agora me sinto mal, e estou com medo. Mas, não pensem que vou cortar os cabelos ou mudar o meu guarda roupas por causa deste indivíduo! Ah, não, ele não é nada meu, não tem o direito de exigir nada de mim. Se eu pudesse, diria a ele: "Estás com uma arma, é óbvio que eu só responderei o que tu queres, e que farei o que me pedires na tua presença, só que não posso mudar a pessoa que eu sou!" Não digo, pois sei que é um ignorante, nunca deve ter lido um livro na vida. Nunca vai saber que Saadi disse "aquele que não tem compaixão pelos seus semelhantes não merece ser chamado de homem." Nunca!

 O Brasil é uma país bonito, imenso, rico em natureza e com um povo maravilhoso, porém parece estar esquecido por Deus. Tem muita pobreza, ignorância, violência. A cada ano, entre 41 e 64 mil cidadãos são assassinados neste país! Muitos jovens na casa dos 20 anos, ou nem isso ainda, são mortos no Brasil, sem chegar a desfrutar de tudo o que poderiam viver. Eu poderia ter sido só mais um número numa estatística fria e impessoal. Mas, não mudarei, mesmo que isso me custe a vida. Onde vai parar a sociedade e a civilização se todos nós baixarmos a cabeça como cordeirinhos, se cedermos tudo ao poder do mais forte? Onde já se viu um lugar onde armas são sinónimo de status e de respeito? Estou com medo, mesmo não sendo um desespero, mas não me sinto mais seguro em lugar nenhum. E aqui é uma cidade pequena, meu Deus, não é o Rio de Janeiro! Mas eu não devo me iludir: já roubaram meu computador AQUI, já mataram um colega de trabalho AQUI (a primeira pessoa que conheci que foi morta de morte matada), tem tráfico de drogas AQUI.

 Eu queria poder fazer o que bem me der na cabeça com o meu corpo, seguir a minha consciência, viver a minha vida em paz. Não estou pedindo para ir à Lua, nem para conhecer pessoalmente a Madonna! Será que é algo impossível? A realidade não permite sonhos, nem poesia, nem respeito ao próximo, nem há direitos humanos, a não ser no papel. Infelizmente, este é o país onde nasci. Sobrevivi à morte hoje, e guardarei sempre o meu cachecol de lã azul claro como lembrança deste dia, um cachecol inocente, que, enrolado em meu pescoço, a cair até a cintura, foi um dos motivos de eu quase perder a vida. Farei isso não por raiva, mas como um gesto de amor à vida. Que Deus me proteja, e proteja a todos nós.

miércoles, 2 de diciembre de 2009

Genocídios Nunca Mais!

Olá a todos. Como havia prometido, volto a postar com mais frequência agora, e tem algo que quero muito dizer.
Desde o começo deste blogue, venho falando sobre as atrocidades cometidas na época da guerra que opôs muçulmanos e sérvios na Bósnia. Vocês podem ver alguns textos aqui, aqui e aqui.


No passado 26 de outubro do corrente ano, começou em Haia o julgamento de Radovan Karadžić, importante personagem nos episódios trágicos daquele conflito que ocorreu entre 1992 e 1995 na Antiga Iugoslávia. Ele era o líder político da população sérvia da Bósnia, e sob o seu domínio, houve uma tentativa de exterminar naquela região qualquer pessoa que não fosse sérvia, e morreram centenas de milhares de seres humanos, muitos deles vítimas de massacres coletivos. Apesar dele ter se recusado a depor, alegando não haver ainda terminado sua defesa (que ele próprio elabora), a continuação do processo está prevista para março de 2010. Já faz mais de um ano que Karadžić encontra-se preso em Haia, na Holanda, pelos crimes que o Tribunal Penal Internacional espera condenar.
Pois bem, o julgamento prosseguirá lentamente, mesmo com os empecilhos, porém agora as pessoas já não se importam mais em saber de justiça. Li num portal da internet o seguinte: "Segundo uma reportagem da Rádio Nederland, os sérvios e muitos muçulmanos bósnios perderam interesse pelo ex-líder
– estão cansados de olhar para o passado. Só os muçulmanos bósnios que foram vítimas da brutalidade sérvia irão assistir cuidadosamente a este julgamento. Para eles, a guerra ainda é muito presente. Adianta a reportagem assinada pelos jornalistas holandeses Hermione Gee e David-Jan Godfroid que os primeiros dias de julgamento serão transmitidos extensivamente na Bósnia e na Sérvia – como aconteceu com o julgamento do ex-presidente jugoslavo Slobodan Milošević, os canais de televisão deverão abandonar rapidamente as transmissões ao vivo porque as pessoas estão cansadas da guerra e querem esquecer este episódio triste."
- a matéria completa pode ser lida aqui -
Não é vergonhoso que ninguém pense no passado? Ainda mais em se tratando de um passado tão recente! Acho que punir criminosos de guerra e genocidas é um ato simbólico, uma maneira de se demonstrar que esse tipo de atitude não é bem vinda no seio dos povos. Mas, se os próprios povos afetados por essas tragédias preferem se esquecer delas, o que dizer então do resto do mundo?


Para quem não sabe, existe hoje um genocídio (ou seja, o extermínio de um povo) que está em curso, e é no Sudão, na área do Darfour, oeste do país. Lá, o governo incentiva milícias armadas de árabes a atacar, roubar e matar os pastores fouris, bem como as outras etnias não-árabes, ocupando cada vez mais seu território e condenando os sobreviventes a viver em miseráveis campos de refugiados. Ninguém faz nada para evitar! Onde estão os homens que mandam neste planeta na hora em que se precisa deles?

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Selo
Recebi este selo do Eduk, do blogue Desarticulando; na verdade não é bem um selo, mas sim um "sinal de amizade", nas palavras do próprio Eduk:
"Amizade não se compra, se conquista! A amizade permanente não se compra e não se vende, não se ensina e nem se aprende, nasce e morre com a gente. Amizade é um sentimento, que chega devagarinho pelos atos, pelo carinho, pela lembrança... E na net não é diferente, você visita um dia um blog, gosta, volta... E assim vai crescendo o número de amigos, das atenções recebidas e dos carinhos ganhos."
Eduk, espero que nossa amizade, que é um tanto nova, possa crescer e se desenvolver com o tempo. Gosto muito da companhia de gente inteligente e fina como tu és. Um abraço! Fica aqui, a todos que passarem, a mensagem acima, com meus votos de que voltem sempre. Obrigado pela presença.




                   

viernes, 2 de enero de 2009

Chega de limpezas étnicas - limpeza ética já!


Esta imagem que vocês estão vendo aí, é de uma vala comum em Srebrenica, no leste da Bósnia, onde em julho de 1995 nacionalistas sérvios massacraram mais de 8.000 homens, mulheres, velhos e crianças, comandados pelo general Ratko Mladić.
Enquanto a justiça do mundo permanecer inoperante, massacres como esse continuarão a acontecer. No Sudão, por exemplo, há o caso de Darfur, a miséria humana levada mais uma vez ao extremo.
Só Deus tem o direito de tirar a vida, mas crimes contra a humanidade são um caso especial. Devemos dar a criminosos como Radovan Karadzić e a Omar el Bashir, o atual presidente do Sudão, nada menos do que eles merecem.
Chega de limpezas étnicas - limpeza ética já!

jueves, 18 de diciembre de 2008

Vítimas da Honra


No Paquistão, entre 70 e 90% das mulheres já foram vítimas de violência doméstica. Isso inclui não só apanhar dos maridos, futuros maridos ou de membros da família. Pode incluir também estupro, queimaduras com ácido ou querosene... Eu estudei o Islã, conheço o Alcorão. Há um dito do Profeta (que a paz e as bênçãos de Deus estejam com ele) que relata que, quando sua esposa 'Aisha lhe contou que as mulheres lhe procuraram para se queixar de que seus maridos batiam nelas, ele falou: "Com certeza, estes homens não são os mais queridos por Allah." No Islam, prega-se o respeito a todos os seres humanos que estão em posição de mais fracos: mulheres, crianças, órfãos, forasteiros, prisioneiros de guerra...
Não se pode julgar um povo pela beleza de suas doutrinas. É o comportamento dos indivíduos que diz como anda uma sociedade. No caso do Paquistão e de tantos outros lugares do mundo onde predomina a pobreza e a ignorãncia, a tradição dita as regras. Trata-se de uma sociedade patriarcal onde ainda há hábitos tribais generalizados, apesar do progresso que chega aos poucos.
Para um homem paquistanês típico, a idéia de receber um "não" de uma mulher é quase inaceitável. Está na edicão 435 da Revista Planeta, dez/2008, página 73: "Uma mulher foi atacada por seu futuro marido depois de se recusar a sair com ele sem a permissão de seus pais. Outra foi queimada pelos parentes do marido, numa tentativa de matá-la para se apossar das terras que pertenciam a ela. Garotas foram queimadas por dar à luz bebês mortos ou por não terem "produzido" meninos. A maioria dos ataques é resultado de um simples "não" dito ao marido ou a algum parente homem."
Não posso dormir tranqüilo sabendo que existe uma coisa dessas acontecendo - que num canto do mundo, a metade da população é considerada simplesmente gente de segunda classe. Às vezes, agradeço a Deus por não ter me feito mulher. Não porque tenho pensamentos contrários à mulher, mas porque sei que, sendo mulher, muitas das liberdades e facilidades que encontro no meu caminho por ter nascido homem me faltariam.
Gostaria de apontar soluções para esse problema. Mas não vejo. Não a curto prazo, e não pela ação de um ou outro cara que tenha a cabeça mais aberta. Para que uma questão que afeta a muitos seja resolvida, é preciso que muitos tomem consciência dos fatos e façam algo para mudar.

jueves, 4 de diciembre de 2008

Lobos



Aqui, duas fotos de Slobodan Milosevic, um famoso tirano.Um dos muitos que a humanidde já conheceu.Cada uma é de uma época diferente.
Fiquei espantado quando soube que Radovan Karadzic, na juventude, foi médico e chegou a tratar de pacientes bósnios.Os mesmos que ele mandaria assassinar friamente anos depois.Crianças inclusive.
Slobodan Milosevic, na foto de baixo, nem parece o montro que depois se revelaria.
Como é possível que o homem seja o lobo do homem? Como o Slobo foi possível?
Mas não creio que a culpa da ferocidade dos seres humanos seja apenas dos grandes, dos líderes e dos políticos.Todos nós temos um ditador que dorme lá dentro, no nosso íntimo, ao qual nossa negligência covarde é sempre um favor.
Todos nós somos lobos.Não sei como até agora ainda não nos devoramos uns aos outros...