A vida! A vida não é fácil. A vida é bonita, sem dúvida que é lindíssima e vale muito a pena vivê-la. Eu quero a vida, quero viver tudo o que der tempo; tudo o que tiver que ser vivido que eu possa sempre encarar de cabeça erguida e dizer: "viverei-o!" Só que não posso ser falso. A verdade é que às vezes a vida me dá medo, muito medo. Me sinto acuado, cercado, sozinho.
Pois uma coisa que me intriga na vida é que ela pode ser uma caixa de tesouros que reluz, brilha e atrai os olhos, apenas para que a abramos e lá dentro hajam facas, lâminas cortantes, enfim, um monte de objetos que nos machuquem, quando não uma bomba mesmo, para acabar com tudo violenta e dolorosamente. Por que eu falo essas coisas? Porque é o que vejo. As pessoas fazem seus planos para o futuro, sorriem numa conversa animada, sonham, amam, falam o que pensam, alimentam seus desejos mais íntimos dentro de si... até que um belo dia, o primeiro de muitos (ou o derradeiro dia de suas vidas) alguém vem e, no mínimo, lhes fere o coração.
Fico aqui a pensar numa coisa que aconteceu recentemente, que muita gente ainda lembra. A morte da Benazir, assassinada num atentado terrorista em 27 de Dezembro de 2007. Ela tinha acabado de retornar do exílio, e no Paquistão havia muita gente que a adorava assim como muita gente que não suportava nem ouvir o seu nome ser pronunciado. Desde o dia em que pos os pés em seu país, tentaram matá-la. Gente morria em volta dela, nas explosões causadas por terroristas suicidas. E ela nunca aceitava ceder aos fanáticos, cumpria a agenda de compromissos integralmente, apesar das ameaças. Rodou o país naquele verão até encontrar a morte, num subúrbio de Islamabad chamado Rawalpindi. Parecia uma louca, porém eu a compreendo. Engraçado que isso me lembra um pouco a mim mesmo (vejam esta postagem). Essa recusa em se deixar subjugar pelas circunstâncias e indivíduos opressores, essa gana de fazer o que quero, mesmo quando ninguém quer que essa seja a minha escolha. É o meu caso, e creio que seja o de muitos mais também. Rebeldia, isso de resistir a tudo que nos desafia a liberdade sem o devido direito.
Sempre eu quis acreditar que as pessoas são naturalmente boas, não más. A cada dia, sinto-me desafiado a renunciar à essa convicção. Por tudo o que acontece comigo e com tantas pessoas, não importa o tempo ou o lugar. É só observar o mundo - injustiças de todo o tipo são feitas a cada segundo, das mais insignificantes às mais gigantescas! Por quem? Pelo homem, o homem que faz por onde até ser chamado de "o lobo do homem".
Gostaria de saber qual é a atitude certa, é o medo ou é a coragem? Temos que fazer o que querem que façamos, para que não nos odeiem, ou fazer o que desejamos, para não odiarmos a nós mesmos? Em outras palavras nós resistirmos, continuarmos a manter as esperanças, termos força, sermos destemidos, sermos o que somos? Se não for isso, resta baixar a cabeça e seguir não notados, deixados em paz e ao mesmo tempo levar uma vida frustrada...
"No porto, um barco encontrará segurança. Mas não é para ficarem parados em portos que os barcos são feitos" - Benazir Bhutto




