A Minha Filosofia

Eu ficarei para sempre com o que disse Zoroastro, grande sábio persa do século VI a.C., que resumiu o que é estar no caminho correto em apenas uma singela frase:

"BONS PENSAMENTOS, BOAS PALAVRAS, E BOAS AÇÕES."

Quero fazer deste princípio o meu viver, incorporar em tudo o que sou a essência desta visão tão simples, para conseguir estar bem com o mundo e comigo mesmo antes de qualquer coisa.

Mostrando entradas con la etiqueta história. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta história. Mostrar todas las entradas

lunes, 4 de octubre de 2010

Uma História de Amor

 Olá, pessoal, esta história que eu quero compartilhar com vocês é de lá do Japão, e é verdadeira. Encontrei no blogue do meu amigo Alexandre Gonzalez, assim como em outro excelente blogue sobre o Japão. Como estou numa fase da minha vida em que a paixão explode dentro de mim, acho apropriada ao momento. É muito triste, mas lindíssima, e é contada de geração em geração lá naquele país,celebrada no teatro tradicional (kabuki),na música, na pintura, na poesia e na literatura em geral. No fim, há uma linda canção sobre a personagem do conto. Espero que gostem.

 Era uma vez uma família chamada Yaoya. Eles viviam em Edo, que hoje em dia é a cidade de Tóquio, e eram grandes quitandeiros. No ano de 1667, nasceu a menina Oshichi, que tornava-se uma bela jovem com o passar dos anos. Um belo dia, a casa dos Yaoya pega fogo. Isso foi em 1682, durante o grande incêndio que arrasou Edo, chegando mesmo até a periferia da cidade. Naquele mesmo incêndio, muitas casas foram detruídas, inclusive a choupana de Matsuo Basho, um famoso poeta japonês. As construções eram de madeira e muito aglomeradas, por isso era comum que o fogo se alastrasse pela antiga Edo, assim como em outras partes do país...

 Assim, entristecida, a família se refugia num templo budista, que existe até hoje, chamado Chomyo-ji. Lá, os Yaoya esperaram a reconstrução de sua morada, que não tardaria muito. Durante sua estadia ali, Oshichi, que então contava 15 anos de idade, conhece um monge recluso de nome Shinosuke Ikuta, jovem e bonito. Os dois logo se apaixonam. Porém, o amor que nasceu entre eles era um amor proibido e impossível. Pelas regras dos monges, não poderia ele dedicar seu coração a mulher alguma, pois quem trabalhava no templo deveria dar seu amor apenas a causas religiosas e humanitárias, e não namorar ou casar-se. Também a família da moça não aprovaria sua união com o monge.

 Quando a casa ficou pronta, os Yaoya voltaram a morar ali, afastando-se do templo. A moça foi com eles, e desde aquele momento deveria conformar-se em viver longe de seu amor. Mas não seria isso que ela faria. Em 1683, Oshichi têm uma ideia: queimar a casa novamente, e assim voltar a viver no templo, junto a Shinosuke. Na época da florada de cerejeiras (sakurá) daquele ano, ela conclui o seu plano; o que provocou essa atitude extrema de sua parte fora o imenso sentimento de carinho e de saudade que ela nutria por Shinosuke. No entanto, o fogo não somente destruiu outra vez sua casa, como também as habitações vizinhas, e sua própria mãe encontrou a morte nas chamas, coisa que a jovem jamais esperaria que acontecesse. Consciente de ter cometido um crime, ela se entrega às autoridades. Estava mais arrasada que as próprias casas que foram queimadas... E ela sabia como era a lei daqueles tempos: incendiários menores de quinze anos seriam condenados ao exílio numa ilha distante, e maiores receberiam a pena capital, morte na fogueira. Ela já tinha 16 anos.

 O juiz que a julgou teve pena dela, apiedou-se de sua história. Perguntou-lhe: "Qual a tua idade?" Esperava que ela mentisse. Porém não, Oshichi preferiu dizer a verdade. "Eu tenho dezesseis". Ela escolheu a morte. Morta,  reencontraria sua mãe, pedindo-lhe perdão e finalmente poderia esperar por seu amado, com o qual sonhara todas as noites sem poder chegar perto... Foi conduzida a uma estaca, no meio de um campo de cerejeiras em flor.
Oshichi com Shinosuke, quadro do artista  Kitagawa Utamaro
 Dizem que quando as primeiras flores de cerejeira aparecem no templo Chomyo-ji, o espírito de Oshichi está feliz, ao lado do monge Shinosuke. As pessoas visitam o templo de Enjou-ji, no bairro de Toshima, e depositam flores no túmulo da moça, e como ela foi morta no fogo, jogam água por cima de seu sepulcro.

Yozakura Oshichi - Sakamoto Fuyumi



        
Akai hana wo ga putsurito kireta
Quebrou-se o cordão de minha sandália vermelha
Sugete kureru te aryashinai

Não há ninguém que possa consertá-la para mim
Ooiteke bori wo keto bashite

Eu piso num buraco e
Kake dasu yubi ni chiga nijimu

Eu começo a correr, o sangue escorre nos meus dedos.

Sakura sakura 

Cerejeiras, cerejeiras,
 Itsumade matte mo konu hito to
Uma pessoa que não vem mesmo que tu esperes por ela
Shindahitoto wa onaji koto

É o mesmo que uma pessoa que está morta
Sakura sakura hanafubuki

Cerejeiras, cerejeiras, com flores a cair como fossem neve
Moe te moya shita hada yori shiroi hana

Queimda e com a pele queimada coberta de alvas flores
Abite watashi wa yozakura oshichi

E a observar as flores de cerejeira - eu sou Oshichi
Sakura sakura yayoi no sora ni

Cerejeiras, cerejeiras, durante o céu de Março
Sakura sakura hanafubuki

Cerejeiras, cerejeiras, com flores a cair como fossem neve

Kuchi beni wo tsukete teishu wo kuwaetara

Apesar de eu passar batom na boca, na verdade eu coloco uma mordaça,
Namida ga porori mo hitotsu porori

Uma lágrima cai, e mais uma 

Sakura sakura miwatasu kagiri

Cerejeiras, cerejeiras, nos limites de minha visão
Sakura sakura hanafubuki
Cerejeiras, cerejeiras, com flores a cair como fossem neve
Sakura sakura sayonara anta

Cerejeiras, cerejeiras, adeus meu querido
Sakura sakura hanafubuki

Cerejeiras, cerejeiras, com flores a cair como fossem neve

sábado, 12 de junio de 2010

Numa Manhã de Inverno

 Hoje, aqui no Brasil, comemora-se o Dia dos Namorados, na véspera do dia de Sto António, o santo casamenteiro pela tradição popular. Nos outros países do mundo, o dia 14 de Fevereiro é que é o Dia dos Namorados, porque é o dia de São Valentim, um antigo bispo romano que foi condenado à morte porque celebrava casamentos em segredo no século III, quando o Imperador Cláudio II os proibia (afinal, pensava-se que os soldados seriam mais dedicados à pátria se não "perdessem tempo" com família). Também tem quem diga que a razão de o nosso Dia dos Namorados não ser comemorado em Fevereiro é pela proximidade desta data com as celebrações do Carnaval, o que ofuscaria um pouco o brilho da data.

 Independente disso, dou os Parabéns a todos e a todas, não só a quem está a namorar, como também a quem "apenas" está apaixonado. É tão difícil demonstrar um pouco de afecto e tão fácil dar-se a sentimentos que só fazem mal a si e aos outros, que é realmente louvável quando se vê o amor brotar num coração, qualquer que seja. Cuidemos bem de nossos corações e de nossos amores! Agora e em todos os dias do ano (os versinhos são para quem gostar).


O amor bateu à minha porta
Numa manhã de inverno.
Para atendê-lo levantei-me da cama.

As janelas já estavam todas embaçadas
E mais ainda ficaram com o abraço terno
Que irradiou calor feito uma chama.

Queima, amor, incendeia tudo até o fim!
Faz teu fogo queimar toda minh'alma e meu corpo
Para que teu calor não saia de mim!

Faz o frio sair pela mesma porta por onde entraste
Quando vieste me procurar
E deixa minhas cinzas sempre contigo poderem queimar...

jueves, 18 de febrero de 2010

Estive a ler O Diário de Anne Frank. Também começo o de Zlata Filipović.
Uma lágrima cai dos meus olhos quando eu penso em todos os jovens ao redor do mundo que perdem a vida em guerras, e não só nos jovens. Desde que o mundo é mundo, a História do homem tem sido simplesmente a história de uma tragédia. Queria ver um pouco de riso na vida, mas é difícil. E o pior de tudo é que nunca aprendemos a lição: mais ou menos o mesmo que aconteceu em Amsterdam nos anos 1940, aconteceu em Sarajevo 50 anos depois.

miércoles, 2 de diciembre de 2009

Genocídios Nunca Mais!

Olá a todos. Como havia prometido, volto a postar com mais frequência agora, e tem algo que quero muito dizer.
Desde o começo deste blogue, venho falando sobre as atrocidades cometidas na época da guerra que opôs muçulmanos e sérvios na Bósnia. Vocês podem ver alguns textos aqui, aqui e aqui.


No passado 26 de outubro do corrente ano, começou em Haia o julgamento de Radovan Karadžić, importante personagem nos episódios trágicos daquele conflito que ocorreu entre 1992 e 1995 na Antiga Iugoslávia. Ele era o líder político da população sérvia da Bósnia, e sob o seu domínio, houve uma tentativa de exterminar naquela região qualquer pessoa que não fosse sérvia, e morreram centenas de milhares de seres humanos, muitos deles vítimas de massacres coletivos. Apesar dele ter se recusado a depor, alegando não haver ainda terminado sua defesa (que ele próprio elabora), a continuação do processo está prevista para março de 2010. Já faz mais de um ano que Karadžić encontra-se preso em Haia, na Holanda, pelos crimes que o Tribunal Penal Internacional espera condenar.
Pois bem, o julgamento prosseguirá lentamente, mesmo com os empecilhos, porém agora as pessoas já não se importam mais em saber de justiça. Li num portal da internet o seguinte: "Segundo uma reportagem da Rádio Nederland, os sérvios e muitos muçulmanos bósnios perderam interesse pelo ex-líder
– estão cansados de olhar para o passado. Só os muçulmanos bósnios que foram vítimas da brutalidade sérvia irão assistir cuidadosamente a este julgamento. Para eles, a guerra ainda é muito presente. Adianta a reportagem assinada pelos jornalistas holandeses Hermione Gee e David-Jan Godfroid que os primeiros dias de julgamento serão transmitidos extensivamente na Bósnia e na Sérvia – como aconteceu com o julgamento do ex-presidente jugoslavo Slobodan Milošević, os canais de televisão deverão abandonar rapidamente as transmissões ao vivo porque as pessoas estão cansadas da guerra e querem esquecer este episódio triste."
- a matéria completa pode ser lida aqui -
Não é vergonhoso que ninguém pense no passado? Ainda mais em se tratando de um passado tão recente! Acho que punir criminosos de guerra e genocidas é um ato simbólico, uma maneira de se demonstrar que esse tipo de atitude não é bem vinda no seio dos povos. Mas, se os próprios povos afetados por essas tragédias preferem se esquecer delas, o que dizer então do resto do mundo?


Para quem não sabe, existe hoje um genocídio (ou seja, o extermínio de um povo) que está em curso, e é no Sudão, na área do Darfour, oeste do país. Lá, o governo incentiva milícias armadas de árabes a atacar, roubar e matar os pastores fouris, bem como as outras etnias não-árabes, ocupando cada vez mais seu território e condenando os sobreviventes a viver em miseráveis campos de refugiados. Ninguém faz nada para evitar! Onde estão os homens que mandam neste planeta na hora em que se precisa deles?

******************************* 
Selo
Recebi este selo do Eduk, do blogue Desarticulando; na verdade não é bem um selo, mas sim um "sinal de amizade", nas palavras do próprio Eduk:
"Amizade não se compra, se conquista! A amizade permanente não se compra e não se vende, não se ensina e nem se aprende, nasce e morre com a gente. Amizade é um sentimento, que chega devagarinho pelos atos, pelo carinho, pela lembrança... E na net não é diferente, você visita um dia um blog, gosta, volta... E assim vai crescendo o número de amigos, das atenções recebidas e dos carinhos ganhos."
Eduk, espero que nossa amizade, que é um tanto nova, possa crescer e se desenvolver com o tempo. Gosto muito da companhia de gente inteligente e fina como tu és. Um abraço! Fica aqui, a todos que passarem, a mensagem acima, com meus votos de que voltem sempre. Obrigado pela presença.




                   

viernes, 17 de abril de 2009

O Passado já não é mais Preto e Branco

Saiu no Le Monde Diplomatique Brasil de março:

"Terça-feira,17 Março 2009 in 1 | by Carolina Gutierrez -
Fotos coloridas do Terceiro Reich são disponibilizadas na internet
A rede social Café História revelou, no artigo “As cores do Nazismo”, que Hitler e os principais líderes nazistas não foram fotografados somente em preto e branco. Os ‘cliques’ coloridos eram raríssimos na época, mas existem. Mas donde brotaram tais fotos?Segundo o artigo, elas pertencem ao arquivo privado da revista americana LIFE. Caiu na rede, é para se mostrar.
E apesar do estranhamento que causa ver que Hitler e seus carrascos eram pessoas coloridas, vale a pena dar uma conferida."


Caros leitores, estou cá eu, neste lindo dia de frio (pelo menos aqui em São Paulo), para propor uma reflexão obre o passado, que, como eu já disse, já não é mais preto e branco. Agora, está com novas cores. Na mesma matéria, que eu encontrei na Internet, consta o seguinte cometário, feito pela leitora Aridne Jacques, 11 dias depois:
"Sábado,28 de Março de 2009, às 2:29 pm
Ariadne Jaques -
Para que publicar fotos coloridas desse episódio histórico terrível para a Alemanha, para os judeus, para os ciganos, russos e tantos outros pelo mundo afora? Estão querendo dar mais e bons argumentos ao bando dos neoloucos? Só queria compreender as razões.
Ariadne"


Qual seria a resposta mais adequada à pergunta de Ariadne, senão dizer que, revivendo o que se passou, fica mais fácil de se aproximar dele? Pois nós precisamos manter o passado vivo, preservar sua memória. Se o nazismo foi um episódio vergonhoso da história da Humanidade, traumático, é importante lembrar. O recurso das fotos em cores só vem a ajudar. No futuro, não parecerá apenas mais uma lembrança distante e irreal.
Eu vi as fotos, que são quatro, e elas até me lembram imagens de filmes e documentários que já havia tido a oportunidde de ver antes. São muito boas.O Le Monde Diplomatique está de parabéns pela iniciativa de divulgar esta relíquia da nossa História. Nossa! Porque é de todos os povos, não apenas dos que passaram por ela.
Quando nos habituarmos a pensar naquilo que já é passado como coisa morta, ele poderá voltar. Não esquecer!

Je vous embrasse. Au revoir.

miércoles, 25 de febrero de 2009

Marionetes


Uma vez, um amigo meu, homem já de meia idade, que passou por muita coisa boa e ruim na vida, me disse que todos nós somos marionetes, que viver é ser uma marionete.Ele disse : "É só escolher de quem queremos ser marionete."

No nosso idioma, existem duas formas: marionete e marioneta,e derivam do francês marionette.É uma palavra bonita, apesar do seu significado estar relacionado àquilo que se manipula, que se controla, algo que não tem vontade própria, autômato, robot.A orígem da marionete, no Japão, está relacionada á ópera, no século XV.Precisamente em 1624, em Osaka,quando surge o teatro de fantoches Bunraku.Era manipulada por varinhas.Aqui no Ocidente, aparece antes, na Idade Média, no que hoje é a França.Marionette é o diminutivo de Marion, que por sua vez é um diminutivo de Marie.O seu uso desenvolveu-se posteriormente, em especial a partir do século XVIII, espalhando-se por diversas regiões da Europa, com destaque para a Sicília e a Península Ibérica. Atualmente, todo o mundo a conhece,pois que ela diverte e encanta adultos e crianças dos cinco continentes.

A partir do momento em que se toma consciência do papel que se deseja desempenhar, a escolha do controlador é de fundamental importância.Somos todos marionetes, marionetes que estão submetidas à alguém ou algo, mas que igualmente fazem um determinado espetáculo, assistido por platéias imensas e que, eventualmente, pode render muito lucro com o dinheiro das entradas, dependendo de quem as comprar ou de quanto elas custarem.

Ser marionete, para nós, tem este duplo aspecto - por um lado, nos movem forças e elas independem da nossa vontade; por outro, ainda podemos, até certo ponto, decidir em quais mãos estarão as nossas cordinhas...

As marionetes que dão nome à nossa condição, aqueles simpáticos brinquedos inanimados, são feitos de pau, de papel, papelão, pano, lata ou qualquer outro material que não a carne, o osso e o pensamente.Não podem ter desejos.Não tem consciência de ser, de estar no mundo. Ter esta consciência dá ao homem o desejo, o desejo de actuar nele, participar, contribuir, desfrutar dele.Não importa de isto vá contra ou a favor do outro que também tem esta consciência.Mas ter o desejo não garante que a realização venha junto.É por causa disto que as escolhas pesam tanto.

Se tu nem sequer podes contar com a certeza da concretização daquilo que desejas, escolher um caminho errado vai diminuir ainda mais as tuas chances.Terás de resolver outros problemas, gastarás mais energia.O caminho são as mãos que nos controlam.

martes, 20 de enero de 2009

Como as Mulheres descobriram a Agricultura



Esta "foto" é uma representação de como eram os
homens há milhares de anos atrás. Reparem bem que é de um "homem", não
de uma mulher (cabelos compridos estavam na moda naqueles tempos,
independente de sexo).
É provável que a maior parte da alimentação dos seres humanos viesse da actividade feminina de colectar
frutos nas árvores, no campo e dos pequenos animais que elas lá
encontravam. Era um trabalho duro, pois todos os dias deveria ser
refeito, já que homens e mulheres das cavernas tinham um apetite voraz,
bem como uma numerosa prole.
A caça era actividade masculina, só os
homem caçavam - afinal, eles tinham (e ainda têm) maior força física,
habilidade necessária no trato com animais de grande porte. E, igualzinho aos dias de hoje, as mulheres preparavam a refeição.
Jogando bagaços
de frutas, cascas, ossos e restos de comida em geral às portas de suas
habitações, fossem elas cavernas ou tendas, (já que todos eram bem
porcos e não se preocupavam muito com limpeza), aquela camada ia se
decompondo e fertilizando a terra, nascendo ali brotos de plantas.
Alguma mulher, acordando de manhãzinha, deve ter visto aquilo ali todo verdinho, dado um bocejo, esfregado os olhos... E disse: "Voilà!".

Pronto: estava descoberta a agricultura. Daí então, toda a espécie
humana pode se beneficiar com as facilidades de cultivar perto de
casa o seu próprio alimento, poupando preciosas energias, que a partir
de então, começaram a ser gastas em actividades mais criativas, até que veio, finalmente, a civilização...

lunes, 12 de enero de 2009

A solução

"O século XX foi o mais breve da História: começou em 1914, com o advento da Primeira Grande Guerra, e terminou em 1991, na queda do comunismo. Foi um século de apenas 77 anos, pois todos os seus grandes acontecimentos foram neles concentrados." Eric Hobsbawm, famoso historiador inglês.

Um dos grandes acontecimentos do século passado foi a criação do estado de Israel, com o aval da ONU, no que veio a ser o fim de uma grande injustiça histórica, que era o povo judeu não ter um Estado que os representasse e protegesse de possíveis ameaças. Mas, até hoje, as circunstâncias não propiciaram o surgimento de um país para os palestinianos, e esta necessidade se torna mais pendente a cada ano que passa. Os recentes conflitos (2009) entre o Exército israeliano e o Hamas, no território de Gaza, evidenciaram mais uma vez esta urgência.

A solução, a única possível, na minha humilde opinião, é que ambas as partes, tanto Israel quanto os palestinianos, sentem-se para negociar juntos, e para isso, é preciso que haja uma terceira parte, um mediador sério entre os dois lados.

Analisemos a situação no Oriente Médio. Ali, nenhum governo árabe é capaz de contar com a confiança plena de nenhum dos lados, até mesmo porque não há grande confiança dos países do Ocidente com relação à maioria deles (esse é, infelizmente, o caso do Egipto, da Síria, do Líbano, da Líbia). O Rei da Jordânia, apesar da boa vontade, ainda não é um candidato sólido. Tampouco o Irão cheio de pretensões arrogantes pode representar uma alternativa viável.

Somente um país que contasse com real solidez e confiança do mundo inteiro, poderia ajudar de fato Israel e a Palestina a se entenderem, e quem sabe no futuro até mesmo cooperarem um com o outro no desenvolvimento económico e nas relações entre si no quesito cultura. Pela natural proximidade, há esse potencial, afinal, num futuro que agora pode estar distante ou não, com uma pátria palestiniana independente e reconhecida (assim como Israel já o é), seria benéfico aos israelitas colaborar com seu vizinho mais próximo.

Aquilo que teve início no desenrolar do século XX terá resolução no século XXI, e, se Deus o permitir, a paz chegará entre israelianos e palestinianos com a ajuda (muito provavelmente) de uma figura carismática, que até hoje não sabemos ainda quem é...

martes, 6 de enero de 2009

O Medo




Estas fotos que vocês estão vendo aí acima, retratam o medo. Eu, particularmente, gosto muito de crianças. Elas são o futuro do mundo, mas são vítimas das decisões estúpidas dos adultos, e é provável que repitam elas quando crescerem.A primeira é de uma criança de Gaza, na Palestina, a segunda é de uma criança de Sderot, em Israel. Ambas com medo, assustadas. O que serão amanhã, quando adultas? Apenas uns três ou quatro quilómetros separam estas duas crianças, mas elas estão muito distantes uma da outra.Muito distantes mesmo.

Estamos no comecinho de 2009, e o ano se iniciou com o ofensiva israelense à Faixa de Gaza, em virtude de que, desde que o exército de Israel retirou-se de lá, em 2005, o sul do país tem sido alvo de mísseis disparados a partir de Gaza, pelo grupo extremista Hamas, desejoso do dia em que Israel "sumirá do mapa."

O problema, o único problema, é que não se aceita como fato consumado a presença do outro, e tenta-se evitá-la. Só haverá paz quando a coexistência for aceita. A relação Eu - Tu sempre foi limitada pela recusa em ser aceita como inevitável.

Como as imagens falam mais do que as palavras, vê-se que a loucura é muito bem distribuída em todo canto da Terra. Os dois lados são igualmente vítimas da loucura um do outro, e da loucura que se origina dentro de si mesmos.

O medo está nos dois lados.

lunes, 29 de diciembre de 2008

A mulher mais bela do mundo


Esta é a famosa atriz Sarah Bernhardt. Brilhou nos palcos franceses na virada do século XIX para o XX, e, devido à sua incrível performance, talento e beleza, era conhecida como la divine Sarah - a divina Sarah.
Esta fotografia foi tirada por Felix Nadar.
A beleza verdadeira jamais perece.

viernes, 5 de diciembre de 2008

Em defesa dos Poetas

.

Disse o o meu querido Slavoj Žižek:
"Todo mundo dá uma bronca em Platão por ele ter ambicionado expulsar os poetas da Pólis.Mas para mim, Platão tinha razão. Creio que os verdadeiros responsáveis pela guerra dos Balcãs foram os poetas, e não só Radovan Karadzic, o líder sérvio da Bósnia. Toda nação teve os seus próprios poetas nacionalistas.A catástrofe é quando se juntam com os militares. Na Europa Ocidental tem o que se conhece como complexo militar-industrial, enquanto que nos Balcãs temos um complexo poético-militar.Platão tinha razão."

Já vou avisando que sou suspeito para falar, pois sou poeta.Acredite quem quiser...

Acontece que, se quisermos falar sobre a natureza da poesia, devemos falar da natureza das palavras em si. A poesia nada mais é do que a arte de manejar a palavra, de usá-la, de subjugá-la, manipula-la. Fazer isto com as palavras é tolerável, porém não com as pessoas.

E, se por um lado houveram poetas nacionalistas, por outro não só o nacionalismo como toda forma de direitismo e autoritarismo têm perseguido a liberdade do homem, e para isso tentaram barrar a atividade de intelectuais e livre-pensadores. García Lorca, por exemplo, foi uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola.

Se dá com as palavras o mesmo que com os homens: há as boas, as ruins, as enganadoras.Cada um diz aquilo que vai no seu íntimo, ou melhor, diz aquilo que, estando ou não dentro do seu coração, julga ser o mais apropriado a dizer para alcançar os objetivos a que se propõe. Um Karadžić pode dizer palavras bonitas, aparentemente inofensivas e até grandes palavras, cheias de metáforas e símbolos, mas será este apenas um meio de moldar a cabeça de outros. E a verdade é que, desde que o mundo é mundo, pássaros da mesma plumagem voam juntos.Talvez por um instinto de sobrevivência nosso, sempre preferimos ouvir aqueles que pensam como nós e ignorar, até certo ponto, os que não compartilham nossa opinião.É absolutamente normal.

Daí que os únicos admiradores da poesia do Açougueiro de Sarajevo sejam os que o apoiam, um grupo minoritário, embora nem tão pequeno assim.Todos os que tomam partido oposto rejeitam tanto a política quanto a poesia de Karadžić.

Quem sabe se, daqui a alguns séculos, esquecido da história, o mundo não tire, empoeirado, de alguma estante perdida em algum canto Europa Oriental, um volume abandonado de poemas de Karadžić e ele seja novamente lido e tido apenas como um antigo poeta sérvio, e não mais como o que realmente foi...Tomara que não, mas tudo é possível.

jueves, 4 de diciembre de 2008

Lobos



Aqui, duas fotos de Slobodan Milosevic, um famoso tirano.Um dos muitos que a humanidde já conheceu.Cada uma é de uma época diferente.
Fiquei espantado quando soube que Radovan Karadzic, na juventude, foi médico e chegou a tratar de pacientes bósnios.Os mesmos que ele mandaria assassinar friamente anos depois.Crianças inclusive.
Slobodan Milosevic, na foto de baixo, nem parece o montro que depois se revelaria.
Como é possível que o homem seja o lobo do homem? Como o Slobo foi possível?
Mas não creio que a culpa da ferocidade dos seres humanos seja apenas dos grandes, dos líderes e dos políticos.Todos nós temos um ditador que dorme lá dentro, no nosso íntimo, ao qual nossa negligência covarde é sempre um favor.
Todos nós somos lobos.Não sei como até agora ainda não nos devoramos uns aos outros...