A Minha Filosofia

Eu ficarei para sempre com o que disse Zoroastro, grande sábio persa do século VI a.C., que resumiu o que é estar no caminho correto em apenas uma singela frase:

"BONS PENSAMENTOS, BOAS PALAVRAS, E BOAS AÇÕES."

Quero fazer deste princípio o meu viver, incorporar em tudo o que sou a essência desta visão tão simples, para conseguir estar bem com o mundo e comigo mesmo antes de qualquer coisa.

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viernes, 17 de diciembre de 2010

Em Sonhos Vieste


 Os versos que se seguem não são de minha autoria, e sim de Al-Mu'tamid, de Sevilha, rei e poeta árabe que viveu entre os anos de 1040 e 1095. Pela beleza presente nestas linhas, não pude deixar de partilhá-las aqui no blogue. 



Em sonhos vieste a meu peito de amor
E pareceu-me que teu doce braço
Me servia de almofada.

Senti que me abraçavas,
Que desfrutávamos o carinho
E a vigília dos amantes.

Acreditei estar a beijar teus lábios,
Teu pescoço, tua nuca e teus cachos
E que alcançava o ápice de teu amor.

Se de noite tua imagem não me visitasse
Eu jamais poderia conhecer
Dos sonhos o doce sabor.

sábado, 9 de octubre de 2010

Homossexuais e religião

Não é necessário dizer palavras supérfluas. Vi esse vídeo há uns meses e achei muito bom. Gostaria de compartilhar com meus leitores. Um abraço.


viernes, 23 de julio de 2010

Este Amor

Este amor é simplesmente amor.
Parece fruta doce que caiu do pé,
Chama pro meio do mato. Ouço e sigo.
Eu o tento alcançar, mas ele diz: "¡olé!".

Este amor fica escondidinho num canto
A esperar que até ele os pés caminhem - 
Sempre eu o procuro, indo até onde está este amor
Dono do meu pensamento, do meu sonho, do meu canto.

Este amor... ele não diz seu nome.
É um espinho na carne e nada mais.
Este amor nada dá, apenas pede.

Este amor tudo traz e nada leva.
Este amor nada tem e tudo tem ao mesmo tempo,
E nunca sei onde guardo o que ele me concede.

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Fotografias: 1ª, os atores Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Ennis del Mar (Heath Ledger), protagonistas do filme Brokeback Mountain (2005), do cineasta Ang Lee, famosa produção de temática gay. / 2ª, Uma das cenas finais do filme, onde Ennis abraça as roupas de Jack, já morto, e lamenta não terem podido ficar mais tempo juntos os dois, por sua covardia, quando Jack ainda estava vivo.



sábado, 26 de junio de 2010

Eu não!

A Dana International é linda e talentosa, além de super carismática, sou fã desde que conheci sua performance no Eurovisão 1998, do qual foi a ganhadora. Desta vez, venho terminar minha secção de música nesta semana com ela! Eu tenho sonhos que talvez se realizem um dia, e a Dana, a cantar alegre e com o mar ao lado evoca esse meu sonho.

Sem mais, deixo vocês com ela e com todo esse romantismo. A língua hebraica não é realmente doce? Me vou deitar que estou muito cansado, finalmente é minha folga! Depois visito os blogues interessantes e retribuo as visitas atrasadas. Bom sábado para todos nós.

ANI LO! -  !אני לא
 
Ata yachol leagid li, - Tu podes me dizer,
Sheze lo meshane, - Que não importa,
Sheazman lo over, - Que o tempo não passa,
Sheani lo bocha; - Que eu não chorarei;
Al tagid sheata - Não digas que tu
Lo ohev oti, - Não me amas,
Ata yachol livkot - Tu poderás chorar

Leistovev el akar. - Em teu travesseiro.

Lagaat berega, - Agarra este momento,

Bizman shenishbar, - Esta fracção de tempo,
Al tagid li shelo - Não digas que nós dois
Niye po machar. - Não estaremos aqui amanhã.

Ani lo, - Eu não,

Ani lo, - Eu não,
Ani lo - Eu não
Lo yechola biladecha! - Não posso viver sem ti!

Ata yachol leagid li - Tu podes me dizer
Shealaila nigmar - Que esta noite é muito
Ve shetzarich kvar lalechet, - E que chegou a hora de partir,
Niye meuchar; - Que chegaremos atrasados;
Al tagid sheata - Não digas que tu
Lo ohev oti. - Não me amas.
Ata yachol livroch - Tu podes correr por aí
Lalech kshekar. - Sair quando está frio.

Lagaat berega (...) - Agarra este momento (...)

Ani lo, - Eu não,

Ani lo, - Eu não,
Ani lo - Eu não
Lo yechola bil'adecha! - Não posso viver sem ti!

lunes, 19 de abril de 2010

Quase me Mataram


 Francisco Beltrão, uma pequena cidade do interior do Estado do Paraná, é onde vivo faz alguns meses. Eu trabalho na Sadia, uma fábrica de produtos alimentícios. No turno da noite, ou seja, das 23 horas às 4 da madrugada. Volto para casa todo dia à pé. Hoje, era mais ou menos 4:25 quando tudo aconteceu, não era nem quatro e meia. Um sujeito com arma invocou comigo, e me encarou. Começou a fazer muitas perguntas, onde eu trabalhava, onde morava, que idade tinha. Perguntou se eu era gay, e eu neguei é claro. Estava com muito medo, mas algo dentro de mim não me deixava demonstrar. Eu sabia que qualquer passo em falso seria fatal, ele poderia estar a esperar qualquer reacção minha para dar-me um tiro à queima roupa ali mesmo, na rua. Fiquei firme, tentei manter uma aparência relaxada, e fui cauteloso em cada palavra que eu disse. Lembrei que o medo, ele atiça o instinto maligno de quem o tem. Olhei nos olhos dele o tempo todo.

 Ele falou mal da roupa que eu estava a usar, disse que eu não devia estar com um cachecol no pescoço (o meu querido cachecol azul!), criticou com nojo a minha maneira de andar, disse que eu devo cortar os cabelos. Fiquei revoltado, mas não deixei transparecer. Fui embora, quando ele deixou, ziguezagueando, com medo de olhar para trás. Ele tinha me "convidado" para ir ali, num canto, num mato, e eu sei que se ele me obrigasse, seria o fim, mas eu estava disposto a recusar até o fim se fosse preciso! Por que eu iria?! Só por ser "veado"?

 Já não foi a primeira vez que senti o preconceito contra gays aqui nesta cidade, mas desta feita foi horrível, e até agora me sinto mal, e estou com medo. Mas, não pensem que vou cortar os cabelos ou mudar o meu guarda roupas por causa deste indivíduo! Ah, não, ele não é nada meu, não tem o direito de exigir nada de mim. Se eu pudesse, diria a ele: "Estás com uma arma, é óbvio que eu só responderei o que tu queres, e que farei o que me pedires na tua presença, só que não posso mudar a pessoa que eu sou!" Não digo, pois sei que é um ignorante, nunca deve ter lido um livro na vida. Nunca vai saber que Saadi disse "aquele que não tem compaixão pelos seus semelhantes não merece ser chamado de homem." Nunca!

 O Brasil é uma país bonito, imenso, rico em natureza e com um povo maravilhoso, porém parece estar esquecido por Deus. Tem muita pobreza, ignorância, violência. A cada ano, entre 41 e 64 mil cidadãos são assassinados neste país! Muitos jovens na casa dos 20 anos, ou nem isso ainda, são mortos no Brasil, sem chegar a desfrutar de tudo o que poderiam viver. Eu poderia ter sido só mais um número numa estatística fria e impessoal. Mas, não mudarei, mesmo que isso me custe a vida. Onde vai parar a sociedade e a civilização se todos nós baixarmos a cabeça como cordeirinhos, se cedermos tudo ao poder do mais forte? Onde já se viu um lugar onde armas são sinónimo de status e de respeito? Estou com medo, mesmo não sendo um desespero, mas não me sinto mais seguro em lugar nenhum. E aqui é uma cidade pequena, meu Deus, não é o Rio de Janeiro! Mas eu não devo me iludir: já roubaram meu computador AQUI, já mataram um colega de trabalho AQUI (a primeira pessoa que conheci que foi morta de morte matada), tem tráfico de drogas AQUI.

 Eu queria poder fazer o que bem me der na cabeça com o meu corpo, seguir a minha consciência, viver a minha vida em paz. Não estou pedindo para ir à Lua, nem para conhecer pessoalmente a Madonna! Será que é algo impossível? A realidade não permite sonhos, nem poesia, nem respeito ao próximo, nem há direitos humanos, a não ser no papel. Infelizmente, este é o país onde nasci. Sobrevivi à morte hoje, e guardarei sempre o meu cachecol de lã azul claro como lembrança deste dia, um cachecol inocente, que, enrolado em meu pescoço, a cair até a cintura, foi um dos motivos de eu quase perder a vida. Farei isso não por raiva, mas como um gesto de amor à vida. Que Deus me proteja, e proteja a todos nós.