Amigos, peço desculpas pela ausência. Desta vez é de verdade. Estou sem ter como retribuir as visitas que recebo, assim que possível eu retornarei. Perdoem, não é por nada, e sim pelas coisas que estão a ocorrer. Algumas boas, outras nem tanto.
Ontem de noite chorei muito.
Leiam o post anterior e saberão o motivo. Eu ouvi uma canção japonesa que me fez chorar logo no primeiro instante. Fala das cerejeiras. Há várias espécies, distribuídas por várias partes do mundo, cada uma de um tipo, algumas dão frutos e outras não. Cerejeira é uma árvore de madeira boa, e seus frutos, as cerejas, são doces, vermelhos e suculentos. Simbolizam o amor. Já suas flores, que são de cor rosa ou branca, são delicadas, pequeninas e duram pouco, desprendem-se dos galhos em pouco tempo. Representam a pureza e a inocência. Poucas coisas físicas no mundo são mais bonitas que uma cerejeira, na minha opinião.

No Japão, especialmente, a cerejeira é um símbolo nacional de grande relevância, presente nos quintais de casas e escolas, no imaginário popular e na inspiração de artistas desde milhares de anos, quando o país era apenas um conjunto de ilhas pouco povoadas e isoladas do mundo. Eu mesmo sei pouco sobre essa nação. Nem entendo o motivo de ter chorado tanto com esta música. Deve ser porque minhas lembranças e a minha saudade se misturaram com a melodia; essas coisas acontecem quando uma pessoa está sozinha, ela fica mais fragilizada e sensível. Pensei em minha família, e desejei tanto um reencontro, um abraço. De qualquer forma, é bom derramar umas lágrimas de vez em quando; alivia, descarrega a alma, mais ou menos como uma cerejeira quando perde suas flores e fica mais leve, numa suave brisa de primavera...
A cultura oriental é lindíssima. Eles têm maneiras extremamente sutis de expressar emoções, e sabem ser doces, mesmo aparentando frieza. É só impressão de frieza que dá vê-los sérios e silenciosos. Essa imagem não corresponde à realidade, como vocês perceberão pela canção. Eu chorei ontem e choro agora de novo, não consigo parar de ouvir e acompanhar a letra, é muito... nem sei dizer. Tem que sentir.
Sakura - Naotaro Moriyama (2003)
Bokura wa kito materu
Eu sempre irei esperar
Kimi to mata aeru hibi wo
Novamente te encontrar
Sakuranamiki no michi no ue de
Na alameda de cerejeiras
Te wo furi sakebuyo
Te chamarei, levantando as mãos
Donani kurushi toki mo
Mesmo nos dias mais difíceis
Kimi wa warateirukara
Tu estás sempre a sorrir
Kujikesuni narikakitemo
Por isso, senti a tua firme coragem
Ganbareru kigashitaro Capaz de superar as desilusões
Kasumiyuku keshiki no naka ni
Dentro duma paisagem enevoada
Ano hi no uta ga kikoeru
A canção daquele dia posso ouvir
Sakura sakura ima sakihokoru
As cerejeiras, as cerejeiras florescem agora
Setsuna ni chiriyuku sadame to shitte
Cientes da sua curta vida
Saraba tomo yo tabidachi no toki
Adeus amigo, é a hora da despedida
Kowaranai sono omoi wo ima
Será eterno o sentimento deste instante
Imanara ierudaruka itsuwari no nai kotoba
Se aquele dia fosse hoje, conseguiria dizer-te
Kagayakeru kimi no mirai wo negau
Palavras sinceras e verdadeiras
Hontu no kotoba!
Para desejar a ti um futuro brilhante!
Utsuriyuku machi wa marude?
A distância conseguirá nos separar?
Bokura wo sekasuyoni?
Fazer com que de mim tu te esqueças?
Sakura sakura tada maiochiru
As flores de cerejeira simplesmente caem
Itsuka umarekawaru toki o shinji
Confiantes na hora de renascer um dia
Nakuna tomo yo ima sekibetsu no toki
Não chores meu amigo
Kazaranai ano egao de saá
Vá com aquele sorriso singelo
Sakura sakura iza maiagare
Levantem-se flores de cerejeira
Towani sanzameku hikari o abite
Tomando o sol que para sempre as iluminará
Saraba tomo yo mata kono basho de awo
Adeus amigo, nos veremos nesta solitária ladeira
Sakura maichiru michi no
Na qual descansam as flores de cerejeira
Sakura maichiru michi no ue de
Na qual descansam eternamente as flores de cerejeira