A Minha Filosofia

Eu ficarei para sempre com o que disse Zoroastro, grande sábio persa do século VI a.C., que resumiu o que é estar no caminho correto em apenas uma singela frase:

"BONS PENSAMENTOS, BOAS PALAVRAS, E BOAS AÇÕES."

Quero fazer deste princípio o meu viver, incorporar em tudo o que sou a essência desta visão tão simples, para conseguir estar bem com o mundo e comigo mesmo antes de qualquer coisa.

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miércoles, 25 de enero de 2012

Aadat - Atif Aslam


Na djáne kab se 
Umíde kutcheh báqi hen. 
Mudjhe phir bhi terí yád 
Kyún áti he? 
Na djáne kab se...

Dur djitná bhi tum mudjh se,
Pás tere men: 
Ab to 'adat si ha mudjh ko ése djíne men. 
Zindagí se koyí shikwah bhi nahín he -
Ab to zindah hun men is níle asmán men.

Tcháhat ési he yeh terí
Barrhti djáye, 
Áhat ése hai yeh teri 
Mudjh ko satáye! 
Yáden gehrí hen yeh itni, 
Dil dub djáye 
Aur ánk-hon men yeh ghum num ban djáye!

Ab to 'adat si ha mudjh ko ése djíne men...

Sabhí rátein hein, 
Sabhí bátein hein... 
Bhulá do unhein, 
Mitta do unhein...

Ab to 'adat si ha mudjh ko 

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Não sei desde quando 
Eu venho alimentando esses desejos.
Porque eu ainda continuo
Pensando em ti?
Não sei desde quando...

Quanto mais te distancias de mim,
Mais eu me aproximo de ti:
Agora essa é a maneira como costumo viver.
Da vida eu não tenho queixas -
Agora não vivo senão sob um (bonito) céu azul.

O amor que sinto por ti 
Continua a aumentar,
O mais leve som vindo de ti 
Já me atormenta!
Os pensamentos são tão profundos,
Que neles meu coração se afoga
E em meus olhos a dor se transforma em lágrimas!

Agora essa é a maneira como costumo viver...

Todas aquelas noites, 
Todas aquelas conversas...
Esquecidas,
Apagadas...

Agora esse é o meu costume


عاطف اسلم، عادت (Urdu)

 نہ جانے کب سے
 امید کچھ باقی ہے
 مجھے پھر بھی تیری یاد
 کیوں آتی ہے؟
 نہ جانے کب سے

 دور جتنا بھی تم مجھ سے
 پاس تیرے میں
 اب تو عادت سی ہے مجھ کو ایسے جینے میں
 زندگی سے کوئی شکوہ بھی نہیں ہے
 اب تو زندہ ہوں میں اس نیلے آسماں میں

 چاہت ایسی ہے یہ تیری
 بڑھتی جائے
 آہٹ ایسے ہے یہ تیری
 مجھ کو ستائے
 یادیں گہری ہیں اتنی
 دل ڈوب جائے
 اور آنکھوں میں یہ غم نم بن جائے

 اب تو عادت سی ہے مجھ کو ایسے جینے میں

 سبھی راتیں ہیں
 سبھی باتیں ہیں
 بھلا دو انہیں
 مٹا دو انہیں
 اب تو عادت سی ہے مجھ کو

jueves, 22 de diciembre de 2011

Onde eu estou?

  Estes versos abaixo são de Parvin Shakir, poetisa paquistanesa que já citei antes em meu blogue (leiam este texto). 

Serras Virgens, quadro da pintora Laila Shahzada (1926-1994), do Paquistão



ONDE EU ESTOU?


Onde eu estou
Em tua vida?

Na brisa matutina
Ou nas estrelas da noite?
No chuvisco hesitante
Ou na tempestade avassaladora?
No luar de prata
Ou no calor do meio dia?
Em reflexões profundas
Ou em melodias casuais?
Onde eu estou
Em tua vida?

Junto ao trabalho
Ou na praia do final de semana?
Será que por acaso me tens
Entre os dedos antes que eu vire fumaça?
Sou a refeição de todos os dias
Ou o vinho do prazer?
Sou um sonho que termina
Ou um novo amor que surge?

Onde eu estou
Em tua vida?


**********************************************
Tumba de Parvin Shakir, num cemitério de Islamabad
  Estamos às vésperas dum dia muito especial. Foi em 26 de Dezembro que morreu a poetisa, em 1994, com apenas 42 anos. Foi vítima dum acidente automobilístico na capital de seu país, numa manhã em que dirigia seu veículo para ir trabalhar. Em sua homenagem, quero compartilhei mais poemas seus na Flor do Sul. 

viernes, 6 de agosto de 2010

Nos Encontraremos

 Os versos que compartilho abaixo são de Parvin Shakir (1952-94), uma escritora paquistanesa. Alguns críticos a comparam a Farough Farrokhzad, da qual sou fã. Ela começou a escrever muito jovem, ainda em Karachi, sua cidade natal. Era ousada, desafiava a ditadura de seu país e os conceitos atrasados de sua sociedade. Vinda de uma família de mohajires (ou seja, imigrantes indianos de religião islâmica que foram para o Paquistão depois da separação entre as duas nações, na metade do século XX), Parvin (ou Parveen) era falante de urdu, língua com tradição poética arraigada, a língua oficial lá do Paquistão. Parvin também escrevia às vezes em inglês, aliás era formada como professora de inglês e residiu anos nos Estados Unidos. Revolucionou a poesia paquistanesa com seu verso livre e ao adotar o eu lírico feminino, coisa rara mesmo entre as poetisas mulheres desse idioma. Morreu nova, num acidente de carro em Islamabad, a capital do Paquistão, onde trabalhava como funcionária pública no Central Board of Revenue (o Ministério das Finanças do país). Há quem diga que, por seu envolvimento com figuras de destaque no cenário político nacional, tenha sido assassinada, o que até hoje não foi provado. É tida hoje como a maior poetisa do idioma urdu.

 Sobre a saudade, que é o tema dessa postagem, eu só posso dizer que é algo que não tem explicação. Não é fácil falar sobre saudade, às vezes é algo que ainda não se assimilou bem, que existe dentro de nós, mas é um tabu quase, de tão íntimo que é esse tema para quem o expõe, por mexer com suas tristezas e fracassos. Vocês que me acompanham já devem ter percebido que sou saudosista, que tenho um desejo mal disfarçado de voltar ao passado. Não é todo ele, apenas os primeiros amores e, mais especificamente, ao que eu sentia por eles, desejava viver com eles - não é saudade de nossas relações catastróficas, seja comigo e meus amores ou mesmo entre eu e minha mãe... Chega de falar! Vamos ao poema.

NOS ENCONTRAREMOS

O pôr-do-Sol 
Dissolve o mundo dentro de si.

O teu perfume
Povoa
Os meus sonhos.

Tudo se dissolve.

...Que visão magnífica!

Em um instante
Surgirá uma estrela no horizonte
Que olhará para ti
Toda enfeitiçada.
E então o teu coração deverá relembrar-se,
Num eco de memória,
A história de nossa separação,
Aquele momento inacabado
De sonhos abortados
E pensamentos não ditos.

Nos encontraremos
Numa outra dimensão,
Na busca pelos anseios antigos,
Sob um outro céu,
Numa outra terra.

Lá nos encontraremos, um dia.

Uma fotografia de Parvin Shakir

viernes, 16 de julio de 2010

Sobre a Vida e o Medo

 Não levem muito à sério as minhas palavras. Sei que qualquer coisa que eu disser já terá sido dita antes de mim. Mas preciso dizer, para que o meu coração nunca se esqueça, e depois de um tempo, se Deus me permitir, eu possa voltar aqui, reler isto e entender melhor as coisas, sob uma nova perspectiva. Ainda sou muito novo para poder julgar tudo com clareza, porém o tempo passará...

 A vida! A vida não é fácil. A vida é bonita, sem dúvida que é lindíssima e vale muito a pena vivê-la. Eu quero a vida, quero viver tudo o que der tempo; tudo o que tiver que ser vivido que eu possa sempre encarar de cabeça erguida e dizer: "viverei-o!" Só que não posso ser falso. A verdade é que às vezes a vida me dá medo, muito medo. Me sinto acuado, cercado, sozinho.

 Pois uma coisa que me intriga na vida é que ela pode ser uma caixa de tesouros que reluz, brilha e atrai os olhos, apenas para que a abramos e lá dentro hajam facas, lâminas cortantes, enfim, um monte de objetos que nos machuquem, quando não uma bomba mesmo, para acabar com tudo violenta e dolorosamente. Por que eu falo essas coisas? Porque é o que vejo. As pessoas fazem seus planos para o futuro, sorriem numa conversa animada, sonham, amam, falam o que pensam, alimentam seus desejos mais íntimos dentro de si... até que um belo dia, o primeiro de muitos (ou o derradeiro dia de suas vidas) alguém vem e, no mínimo, lhes fere o coração.

 Fico aqui a pensar numa coisa que aconteceu recentemente, que muita gente ainda lembra. A morte da Benazir, assassinada num atentado terrorista em 27 de Dezembro de 2007. Ela tinha acabado de retornar do exílio, e no Paquistão havia muita gente que a adorava assim como muita gente que não suportava nem ouvir o seu nome ser pronunciado. Desde o dia em que pos os pés em seu país, tentaram matá-la. Gente morria em volta dela, nas explosões causadas por terroristas suicidas. E ela nunca aceitava ceder aos fanáticos, cumpria a agenda de compromissos integralmente, apesar das ameaças. Rodou o país naquele verão até encontrar a morte, num subúrbio de Islamabad chamado Rawalpindi. Parecia uma louca, porém eu a compreendo. Engraçado que isso me lembra um pouco a mim mesmo (vejam esta postagem). Essa recusa em se deixar subjugar pelas circunstâncias e indivíduos opressores, essa gana de fazer o que quero, mesmo quando ninguém quer que essa seja a minha escolha. É o meu caso, e creio que seja o de muitos mais também. Rebeldia, isso de resistir a tudo que nos desafia a liberdade sem o devido direito.

 Sempre eu quis acreditar que as pessoas são naturalmente boas, não más. A cada dia, sinto-me desafiado a renunciar à essa convicção. Por tudo o que acontece comigo e com tantas pessoas, não importa o tempo ou o lugar. É só observar o mundo - injustiças de todo o tipo são feitas a cada segundo, das mais insignificantes às mais gigantescas! Por quem? Pelo homem, o homem que faz por onde até ser chamado de "o lobo do homem".

 Gostaria de saber qual é a atitude certa, é o medo ou é a coragem? Temos que fazer o que querem que façamos, para que não nos odeiem, ou fazer o que desejamos, para não odiarmos a nós mesmos? Em outras palavras nós resistirmos, continuarmos  a manter as esperanças, termos força, sermos destemidos, sermos o que somos? Se não for isso, resta baixar a cabeça e seguir não notados, deixados em paz e ao mesmo tempo levar uma vida frustrada...

 "No porto, um barco encontrará segurança. Mas não é para ficarem parados em portos que os barcos são feitos" - Benazir Bhutto

martes, 6 de julio de 2010

Sem Ti

 Olá, bom dia. A canção que eu vou compartilhar hoje aqui no blogue se chama Tere Bin ("Sem Ti"). Nos idiomas hindi e urdu, respectivamente, fica dessa forma a escrita: तेरे बिन, تیرے تن.

 Tere Bin fez parte da trilha sonora do filme bollywoodiano Bas Ek Pal ("Apenas Um Momento"), de 2006, e até hoje é um grande sucesso na Índia (onde se fala hindi) e no Paquistão (de língua urdu). Hindi e urdu são basicamente o mesmo idioma, só muda o alfabeto, e as diferenças são mais ou menos as mesmas que há entre o português do Brasil e o de Portugal, ou entre o sotaque dos Estados da Paraíba e do Paraná, pouca coisa. Estima-se que o hindustano (a combinação de hindi mais urdu) seja falado ou compreendido por talvez 600 milhões de pessoas pelo mundo, o que faz dele o 3º idioma do planeta, atrás apenas do chinês e do inglês.
  
 Esta é uma música romântica que eu adoro, nem preciso dizer. Fala da tristeza da ausência, do desejo de estar próximo, da dor da traição. Não lembra muito a melodia de uma canção tradicional daquela região, é mais como qualquer boa música actual do nosso Ocidente mesmo, talvez por isso eu goste tanto. A tradução é especialmente para o meu querido Renato, de Assu, Rio Grande do Norte. Eu coloco a letra com a pronúncia mais aproximada que me foi possível, pois normalmente se encontra a transliteração das palavras originais com sons ingleses (assim, tere bin, por exemplo, fica teray bin). Espero que gostem, tem muita poesia e doçura nesta canção!
Tere Bin - Sem Ti

Tere bin, mén yun kése djiya - kése djiyá tere bin? (2x)
Sem ti, como eu viveria assim - como viveria sem ti?

Lekar yáde têri, ráten mêri katí... (2x)
Nas lembranças de ti, minhas noites vão passando...
Mudjse báten terí kârti hê tchándani:
A lua me fala sobre ti:
Tan-ha há tuj bín ráten merí.
Sem ti minhas noites são solitárias.
Din merê din keê djêse nahí.
Meus dias são como se não fossem dias.
Tan-ha badân, tan-ha hê ru mam mêri ánken rahê.
Meu corpo sozinho, minh'alma sozinha e meus olhos ficam molhados.
Ádjá merê, ab ru burú djiná nahí bin terê!
Vem agora para mim, não quero viver sem ti!

Tere bin, mén yun kése djiya - kése djiyá tere bin? (2x)
Sem ti, como eu viveria assim - como viveria sem ti?

Kâbse ánken merí ráha mén têre bitchí? (2x)
Quando foi que eu pus meus olhos no teu caminho?
Búle se hi kabi tu mil djáye kâí...
Pelo menos me deixa encontrá-lo em algum lugar, acidentalmente...
Bule nâ mudjseê báten terí -
Não posso esquecer tuas palavras -
Bígi hâ har pal ánken merí.
A cada segundo os meus olhos ficam molhados.
Kyun sánse lún? Kyun mén djiyú?
Por que eu tenho que respirar? Por que tenho que viver?
Djiná bura sa lagê.
Vivo a sentir-me mal.
Kyun ho gayá tu bevafá? Mudjkô batá de vagê!
Por que tu me traístes? Me diz o motivo!

Têre bin, mén yun kése djiya - kése djiyá tere bin? (2x)
Sem ti, como eu viveria assim - como viveria sem ti?

jueves, 18 de diciembre de 2008

Vítimas da Honra


No Paquistão, entre 70 e 90% das mulheres já foram vítimas de violência doméstica. Isso inclui não só apanhar dos maridos, futuros maridos ou de membros da família. Pode incluir também estupro, queimaduras com ácido ou querosene... Eu estudei o Islã, conheço o Alcorão. Há um dito do Profeta (que a paz e as bênçãos de Deus estejam com ele) que relata que, quando sua esposa 'Aisha lhe contou que as mulheres lhe procuraram para se queixar de que seus maridos batiam nelas, ele falou: "Com certeza, estes homens não são os mais queridos por Allah." No Islam, prega-se o respeito a todos os seres humanos que estão em posição de mais fracos: mulheres, crianças, órfãos, forasteiros, prisioneiros de guerra...
Não se pode julgar um povo pela beleza de suas doutrinas. É o comportamento dos indivíduos que diz como anda uma sociedade. No caso do Paquistão e de tantos outros lugares do mundo onde predomina a pobreza e a ignorãncia, a tradição dita as regras. Trata-se de uma sociedade patriarcal onde ainda há hábitos tribais generalizados, apesar do progresso que chega aos poucos.
Para um homem paquistanês típico, a idéia de receber um "não" de uma mulher é quase inaceitável. Está na edicão 435 da Revista Planeta, dez/2008, página 73: "Uma mulher foi atacada por seu futuro marido depois de se recusar a sair com ele sem a permissão de seus pais. Outra foi queimada pelos parentes do marido, numa tentativa de matá-la para se apossar das terras que pertenciam a ela. Garotas foram queimadas por dar à luz bebês mortos ou por não terem "produzido" meninos. A maioria dos ataques é resultado de um simples "não" dito ao marido ou a algum parente homem."
Não posso dormir tranqüilo sabendo que existe uma coisa dessas acontecendo - que num canto do mundo, a metade da população é considerada simplesmente gente de segunda classe. Às vezes, agradeço a Deus por não ter me feito mulher. Não porque tenho pensamentos contrários à mulher, mas porque sei que, sendo mulher, muitas das liberdades e facilidades que encontro no meu caminho por ter nascido homem me faltariam.
Gostaria de apontar soluções para esse problema. Mas não vejo. Não a curto prazo, e não pela ação de um ou outro cara que tenha a cabeça mais aberta. Para que uma questão que afeta a muitos seja resolvida, é preciso que muitos tomem consciência dos fatos e façam algo para mudar.